Exercício.

Sigo um cara muito bacana que trabalha com escrita criativa. Fiz a oficina dele no ano passado e continuei, sempre que possível, seguindo as dicas que ele dá. Uma newsletter ótima, desafios bacanas.

Pois bem. Consegui participar de um dos desafios, faz alguns dias, que era assim:

Desafio do Ninho de Escritores: escreva uma cena em que dois personagens se despedem um do outro.

Regras:

– trata-se apenas de uma cena, não necessariamente de uma história completa;

– limite de palavras: 100;

– enviar a história por inbox para a página;

– data limite para enviar as histórias: 24 de abril de 2016.

Bom, fiz esse texto aqui:

Janaína largou tudo no chão. Não conseguia acreditar naquele absurdo todo. Tanto drama, tanto chororô, tanto meu amor meu bem vem que tem. Qualé, mané? Vem com esse papo de meu bem e agora aquela dispensada? Na lata?

Sinceridade? Qual, sinceridade, qual nada! Queria mais era ser dama, tratamento pão-de-ló, coisa de princesa. Vi ai pi, bem. Mentiras brancas. Só faltava essa.

Essa. E um tapa na cara. Bem dado, na cara do safado.

Vomitou a chave de volta e meteu goela abaixo do imbecil. Bateu a porta e tomou seu rumo.

Sin-ce-ra-men-te.

O comentário dele foi:

Dica do Ninho: no primeiro parágrafo, a terceira pessoa dá lugar ao discurso indireto livre, que é quando o personagem assume a narrativa. Esse “superpoder” costuma ser limitado, mas aqui segue por mais de um parágrafo. Minha sugestão é transformar o texto em primeira pessoa, acertando os verbos aqui e ali.

Então eu refiz o texto:

Larguei tudo no chão. Não conseguia acreditar naquele absurdo todo. Tanto drama, tanto chororô, tanto meu amor meu bem vem que tem. Qualé, mané? Vem com esse papo de meu bem e agora aquela dispensada? Na lata?

Sinceridade? Qual, sinceridade, qual nada! Eu queria mesmo era ser dama, tratamento pão-de-ló, coisa de princesa. Vi ai pi, bem. Mentiras blancas.
Só faltava essa, agora.

Essa. E um tapa na cara. Bem dado, na cara do safado.
Vomitei a chave de volta para ele e meti goela abaixo do imbecil. Bati a porta e tomei meu rumo. Sin-ce-ra-men-te.

Eu gosto muito da ideia do  “superpoder” e desse troca-troca de narrador. Deixa o texto mais desafiador para o leitor. Mesmo que o conteúdo seja bobo, como é, causa um certo desconforto na leitura e eu acho isso bacana… Mas  eu queria saber o que vocês acham.

Se tiver alguém aí, por favor, me digam qual versão vocês acham mais interessante:

  1. Troca de narrador
  2. Primeira pessoa

Agradeço os comentários.

 

____

Lulups quer escrever, mas começou a achar as técnicas muito difíceis.

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2 Comments Add yours

  1. Francisco diz:

    Acho que a segunda flui melhor e a primeira pessoa constante permite que a gente se sinta dentro da cabeça dela. Uma tecnica diferente que o escritor da série de livros do Game of Thrones usa é sempre estar escrito em primeira pessoa, mas a cada capítulo é sob o ponto de vista de um personagem diferente.

  2. Victor Fisch diz:

    Acho mais interessante a primeira. Mas compreendo que se isso se transformasse numa coisa maior, seria importante dar mais base para o leitor se sentir cômodo e próximo do personagem. A primeira afasta, a segunda aproxima. Aí vai da sua intenção como criadora.

    *Victor Fisch* fischvictor@gmail.com +55 11 9 8558 7795 http://www.trapezio.art.br

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