{Livro} Sobre a Miranda July e “O primeiro homem mau”

Eu li “Não sou uma dessas” da Lena Durham no começo do ano e achei ela mucho louca, se quer saber. Também achei que tinha feito resenha do livro, mas não a encontrei. Será que eu fiz mesmo?

Bom, mas por quê diabos eu estou falando na Lena Durham se o título dessa postagem é “Sobre a Miranda July…”?

A real é que essas duas moças são meio contemporâneas – a Miranda parece mais velha – conterrâneas – ambas são americanas – e doidas. E as duas são porta-vozes fortíssimas da cultura atual, tão fortemente femininas, confusas e mutantes.

Só que enquanto a Lena Durham é louquinha de pedra e eu a imagino sendo verborrágica e intensa, a Miranda July me parece o estilo louca calma. Louca que reflete – o mínimo, pelo menos – e que não simplesmente põe tudo para fora. Gosto mais desse tipo, eu acho.

Posto isso, anuncio aqui que me deparei com o livrinho da Miranda July na Livraria Cultura e acabei baixando uma amostra no Kindle . Comprei o livro e li até o finalzinho – com prólogo, agradecimentos (que inclui a Lena Durham, rá!), biografia da autora e tudo o que eu tinha direito.

Miranda July também escreveu, atuou e dirigiu um filme que eu gosto muito chamado “Eu, você e todos nós.” Bem recebido pela crítica, sim, mas cheio de excentricidades.

“O primeiro homem mau” é recheado de questões contemporâneas e transborda esquisitisses também. Mas, diferente do “Não sou uma dessas” da Lena, que é biográfico, “O primeiro homem mau” é uma narrativa em primeira pessoa que relata a vida de Cheryl, uma mulher de quarenta e poucos anos, com uma paixão platônica e uma vida vazia, mas ‘adequada’.

Ela já não espera muito mais que um acerto com sua paixão platônica e parece que é isso. Até que ela é obrigada a receber na sua casa uma pós-adolescente de 20 e tantos e a relação entre as duas é cheia de tensões.

Passando por envelhecimento, homossexualidade, profissão, questionamentos pessoais, limites, vida cotidiana, adoção, maternidade, amor e tantos outros assuntos, a obra consegue atingir um conformismo doce e otimista.

Assim como em “Eu, você e todos nós”, a personagem de “O primeiro homem mau” vai flutuando pela vida com muitas dúvidas, mas sem pretensões. Se a narrativa parece maluquíssima, a conclusão é suave e até coerente.

Terminei o livro respeitando ainda mais essa artista, escritora, cineasta e tantas outras coisas que ela é e faz para tentar se encontrar, se entender e se encaixar na vida.

O livro você encontra aqui.

E uma crítica bem decente você pode encontrar aqui.

____

Lulups achou o livro doido e o final encantadoramente simples.

 

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2 Comments Add yours

  1. franksands diz:

    Ei,a sua crítica também é muito boa! Beijos

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