Sobre nada.

Tem dia que é assim. Épocas, talvez. É o terceiro post/texto que eu começo por aqui. Mas está difícil sair alguma coisa. Auto-crítica? Falta de criatividade? Auto-censura exacerbada?

O fato é que fica essa missão, a de escrever, martelando na minha cabeça, o feriado todo. Tive feriado. Foi ó-t-i-m-o. Queria mais. Sempre quero. Mas foi ótimo.

Fiz um bolo de laranja. Ficou seco. Não entendi o que aconteceu… forno demais? Líquido de menos? Só deu certinho mesmo a cobertura. O bolo ficou assim, seco. Pouco fofo. Sei lá.

Aí fiz compras também, tentando planejar um cardápio semanal, já que a previsão é chegar em casa pelo menos duas ou três vezes depois das dez em casa nessa semana. Consegui comprar meia dúzia de frutinhas – as básicas, maçã, banana – carne moída, frango e rascunhar um projeto de estrogonofe que me deu vontade, mas esqueci de providenciar os cogumelos. Esqueci, sei lá. Também fico aqui pensando que não sei fazer molho de estrogonofe. É como? Creme de leite fresco e ketchup? Ou molho de tomate? Ou não é creme de leite, é bechamel? Hm?

Dúvidas um tanto bobas, eu sei. Mas tudo isso passa por aqui, em algum lugar. Aí penso que estrogonofe não é beeem, assim, um prato para deixar pronto com antecedência muita, porque estraga rápido, né?

Não sei o que se passou na minha cabeça, assim, exatamente. Acho que foi mais só a vontade.

Mas foi bom, então, o feriado. Deu tempo de ir ao cinema, passear em livraria, escolher uma coisa para ler – e lembrar de outra que estava esquecida na fila dos “próximos”. Deu para ir ouvir música de viola e conhecer cantarolante novo em show pequeno no SESC Santo Amaro. Deu para ver e afofar sobrinho. Deu para abraçar madrasta e irmãos. Deu para ver sogra e cunhada e atualizar todo o cardápio familiar que nutre os meus dias.

Comi coisas boas e conheci lugares novos.

E queria falar sobre isso isoladamente, mas não estou conseguindo.

Queria falar que me sinto, enfim, na casa dos trinta. Com dois anos de atraso. Me sinto, então, com trinta. Mas já são trinta e dois. E deve ter alguma coisa relacionada aos dentes.

Olho os dentes das pessoas. São sempre tão brancos e ordenados. Olho para os meus dentes e sinto que cheguei aos trinta. Eles começam a entortar e já tem aquele amarelado dos dentes dos velhos. E eu nem fumo. Talvez seja o café. E a coca-cola que ainda eu tomo de vez em quando, cada vez menos, mas ainda. Não tenho sorrisos de dentes. Eu tenho, claro, mas não os ofereço sempre, assim, a qualquer um, em qualquer fotografia. A minha avó implica. Diz que eu não sorrio de verdade.

Aí lembro de um texto. De quem era mesmo? Uma coisa assim boba que fiquei com vontade de guardar. Um personagem, em algum livro, que não sorri com os dentes. Que quando acha algo engraçado pensa: isso é engraçado. O riso não vem. Não vem os dentes.

Aí anoitece agora, aqui. Dá para ver, sabe? Pela janela do apartamento. Que bom que dá para ver, né? As duas estrelinhas, que na verdade são planetas. Quais são mesmo? Mercúrio e Vênus? Esses dois brilhinhos cravados no céu que aparecem antes do sol desaparecer anunciando as noites nesses últimos meses. Disseram que eles vão se juntar, se sobrepor, se cumprimentar no céu. E a gente aqui vai ver só um. As costas de um. E vai achar que é um só que está ali, mas na verdade são dois.

E, apesar do bar em frente ao prédito, apesar da ventoinha do computador, apesar do marido pendurando roupa no varal, está tudo tão quieto. Tudo tão domingo-à-noite.

E é tão bom que seja assim.

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