Receita de chá.

Eu sou essa pessoa. Que precisa de instruções. Que aos quatro (ou aos seis?) perguntou para mãe que pé era qual na hora de calçar as meias. E fiquei muito decepcionada e confusa quando a resposta dela foi “tanto faz!”.

Oi? Hein? Tanto-faz? Não tem pé certo? Não tem instrução? Não tem guia? Não tem ninguém me dizendo como é para fazer?

Travei.

Meu trauma foi aliviado quando, depois de conhecer essa história, o meu marido me deu um par de meias marcadas com “E” e “D”, sinalizando exatamente que pé ia onde. Me senti salva! O mundo tinha ordem outra vez. Todo o meu amor para Francisco, sempre.

Bom… mas esse papo de meias é para dizer que eu preciso de instruções. Eu gosto delas. X gramas para Z ml, em temperatura Y e infusionado por T minutos.

Só que, se o café tem essa precisão toda, e talvez o chá propriamente dito tenha também, as nossas infusões são muito mais livres e dependem muito mais do nosso gosto do que de qualquer convenção universal.

Vai medir como? 6 folhas de hortelã? Que tamanho? E chá de guaco, com aquelas folhas grandes todas?

A gente até se adequa, tenta passar recceita. Mas simplesmente elas não existem universalmente. Elas dependem única e exclusivamente de você!

Socorro!

Sim. Talvez. Socorro no momento 0. Depois tudo dá certo, afinal é só erva e água. Se ficou forte, põe mais água. Se ficou fraco, deixa mais tempo. Aquela coisa. Confie em você. Hehehe

Me considero uma pessoa de sorte por ter em frente a minha casa um mercado municipal. Ele é meio feio, meio sujo, meio pequeno, meio esquisito, meio caro… pode ser, mas ele tem tudo. Tudo assim, um pouquinho. Um pouquinho de tudo.

E, andando pela milésima vez pelo mesmo box, dei de cara com hibisco seco e erva doce vendidos a granel. Pedi 100g de cada e trouxe para casa. E resolvi fazer chá.

Eu fazia chá de hibisco lá na cafeteria. Mas era um blend bem específico, importado, que eu fazia com uma colher medidora, uma quantidade exata de água a uma temperatura super controlada e uma ampulheta para controlar o tempo. Porque eu sou assim.

Aqui em casa eu botei um punhado de flores secas de hibisco em um recipiente de vidro, um tanto de água fervente (500 ml?), infusionei pelo tempo que eu achei bom, tomei a primeira xícara meio morna e achei forte. Infusionei mais meio litro com as mesmas flores e ficou super fraco. Misturei tudo, sacudi com um pouco de açúcar e enfiei na geladeira.

Hoje, agora, na hora da sede, ele foi perfeito. Perfeito.

E não tem nada, nada-nada, como fazer chá com flores e ervas, assim, que você vê e sabe o que tem dentro. Além da cor. Nossa, que cor. Bate qualquer chá de frutas vermelhas por aí.

______________________

Lulups agora deseja chá de hibisco gelado. Vai entender.

 

 

Anúncios

Deixe um comentário! =)

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s