{Relato} A quinta dimensão em uma loja de especiarias

Não. Não fui tão longe. Fisicamente, ao menos.

Com a Verônica aqui no final do ano, consegui tirar uma hora de almoço umas duas vezes e na última me aventurei no número 856 da R. Min. Rocha Azevedo. Tinha vontade de ir lá desde sempre, mas a loja tem horário inviável para mim: das 9h30 às 18h30.

Trata-se de uma lojinha – apesar da marca ser conhecida – de especiarias. Um corredor recheado de vidrinhos, potinhos, saquinhos como você jamais sonhou.

Eu, que nunca tinha entrado numa lojinha especializada em temperos, fiquei com um grande ponto de interrogação estampado na cara. Uma senhora, saída do balcão com seus cabelos prateados ofereceu ajuda, a qual recusei de imediato. Pura timidez, sabe-como-é…? Afinal, não era o que eu esperava. Não conseguia distinguir nada ali, naqueles infinitos potes rotulados em etiquetas alaranjadas.

Dei uma volta de reconhecimento. Não era possível! Tinha que me entender ali. Me veio a imagem do personagem do  Matthew McConaughey no Interestelar (se você não viu, veja!), preso em um quadrado sem sentido. Mas aí é que as outras dimensões começaram a saltar na minha frente: Parei em uma prateleira com temperos guardados em vidrinhos e etiquetados em ordem alfabética. Cada qual com a descrição da sua origem, as indicações de uso, a composição de ervas aromáticas, especiarias e outros elementos presentes. Passei a viajar da Índia ao Egito, à América Central, passando pela Amazônia, sem deixar de visitar vilarejos norte-americanos que com certeza cheiram a apple pie.

Não é possível sentir o perfume dos vidrinhos, mas as descrições são tão precisas, que os sabores e cheiros vêm à mente quase que imediatamente.

Mas e aqueles que não conhecemos? Os rótulos contam para gente: sabores pungentes, delicados, use apenas esse tempero, despensa outros, toque de acidez, amargor… enfim, infinitas descrições sinestésicas.

Eu viajei sem saí do lugar. Lá fora, uma bruta chuva. Dentro de mim, uma aventura! Levei quatro vidrinhos, três para presente e um para mim, que foram cuidadosamente embrulhadinhos pela simpática senhora lá dentro.

Você já foi visitar alguma lojinha de especiarias? Sentou com o cara da feira que você vai e perguntou sobre coisas que você nunca experimentou?

Chico e eu experimentamos pitaia nessas férias, das mãos do dono da barraca de frutas lá do mercado em frente à minha casa. Outras sensações. É incrível como o nosso cérebro fica procurando referências (Melancia? Kiwi?) e, quando não encontra, entra em parafuso. Primeiro gostamos. Depois não. Ah, mas é azedo. Mas e a textura?

Qual foi a sua última experiência com algo novo? Não precisa ser exótico, basta ser algo que você nunca teve a audácia de pôr na boca e, de repente, ficou interessado. Me conta?

_________

Lulu acha que a gente precisa experimentar tudo várias vezes nessa vida.

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4 Comments Add yours

  1. Idália diz:

    Que tal experimentar novamente tapioca , heim ? E…..vc não se lembrou de mim, nem uma vez, nessa lojinha maravilhosa? Não te lembrou alguma coisa? Essa ano experimentei tucun e guaco selvagem … os sabores não conhecidos fazem uma confusão na gente, como vc disse – é preciso experimentar várias vezes.
    Vale a pena!

    1. Luiza diz:

      Ah, Idália! Lembrei de tantos cozinheiros e cozinheiras por ali. Tantas viagens gastronômicas… Aquela coisa do empório, né? Nunca comi tucun. Guaco, só em chá. E me lembro de achar bom! Continuemos tentando. Vou aperfeiçoar o meu paladar para tapiocas, pode deixar! 😉

  2. Anónimo diz:

    Ontem, experimentei uma caipirinha de saquê de atemoia (A atemoia é uma fruta híbrida que é obtida através do cruzamento da cherimoia com a fruta-pinha, pertencentes à família das anonáceas). Achei estranho. Talvez a fruta estivesse um pouco madura. Não gostei mas vou experimentar de novo. Quem sabe, eu gosto!

    1. Luiza diz:

      Ah, que legal! Já comi atemóia uma vez, mas fico pensando que ela é muito polpuda para caipirinha. Será? È como fazer caipirinha de banana. Será que não? hehehe Deve ter sido uma bela experiência! Talvez experimentá-la só como fruta mesmo seja um caminho. Eu adoro pinha, fruta-do-conde, mas tem mesmo o ponto certo, para não dar aquele gostinho de fruta passada… Abraço!

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