Imagina só.

Veste a carapuça, danada. Veste a máscara de sorrir. É carnaval. Você perde tempo demais chorando e ficando triste, Luiza, é tempo demais que você perde. Imagina só.

Imagina só.

Soluço.

A ansiedade é uma velha conhecida que se sentou aqui no meu peito a tocar tambores e a balançar-se toda nas minhas cordas vocais, trazendo um tremelique sonoro e uma dor que vaza à galope.

É fevereiro, meu bem.

Não existe jeito certo de fazer as coisas, ele me disse. Não existe receita pronta para ninguém. Fazemos o melhor que podemos, tentamos.

Chico e eu reviramos o quartinho hoje. Passamos o domingo entre roupas, papéis, jogos de tabuleiro, dvds antigos, presentes, fotografias e poeira. Quanta poeira!

Só me fez lembrar de que era para ser para sempre. É para ser para sempre, não é? Quando a gente diz que ama, que quer viver junto, a gente sempre acha que é para sempre. A gente coloca as coisas no lugar e elas ficam ali, quietinhas, ninguém vai à lugar nenhum. Ninguém deveria ir à parte alguma. Tudo deveria ficar ali, encaixadinho, para sempre. Acumulando poeira, e sendo lindo e empoeirado e envelhecendo tudo junto no amor.

Mas nada fica no lugar, né? Não é assim que as coisas funcionam. Só temos certeza da impermanência. E pronto.

E do choro. Ah, é. Porque eu, né?, EU, esse mar que sou se derrama em todos os cômodos, em todos os minutos dessa despedida tão doída.

Caramba, Luiza. Dá para ser mais leve, hein?

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Lulups tá com dor de cabeça e não sabe de onde conseguem brotar essas tantas lágrimas infinitas. MEU-DEUS-DO-CÉU.

 

 

Números.

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Então. Mudei o template do blog e apareceu isso daí. 179 “outros seguidores”.

Que diabos de “outros seguidores”?

um. sete. nove.

É um número completamente aleatório esse, só pode ser.

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Lulups acredita em anjos e fadas e gnomos e duendes. Mas não acredita em números fictícios.

o jeito que você me olha

O porteiro Igor me olha engraçado. Acho engraçado o jeito que ele me olha. É como se o mundo fosse acabar amanhã, penso. Boa noite, dona Luiza, ele diz. Boa noite, Igor, eu respondo. Às vezes ele não diz nada. Só me olha. Me olha engraçado. Como se o mundo fosse acabar amanhã.

Talvez seja porque eu me separei. E agora moro sozinha em um apartamento. Eu e o gato, eu e as plantas e o gato. Eu-o-gato-as-plantas-e-eu.

Ou talvez seja só porque ele quer comprar a minha bicicleta vermelha sem marcha desde o ano passado e não sei o que lhe responder.

Talvez seja só por isso.

Praia.

Sonhei que era eu um brutamontes de queixo quadrado que destruía muros como se alisasse o cimento por sobre os tijolos. Depois uma donzela de cabelos curtos caía nos meus braços, as madeixas muito loiras e os olhos envidraçados.

Parti e vi o mar. Uma praia imensa. Eu, preso num apartamento. Olhando as ondas rodarem. Ora eu estava lá, por entre as ondas, em pranchas de surf, ora eu estava olhando o mar se revirar em espumas pela janela de um prédio no alto.

A altura da janela me dava mais vertigem que as ondas do mar.

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Acordei precisando demais ir à praia.

Mimar você

Eu te quero só pra mim
Você mora em meu coração
Não me deixe só aqui
Esperando mais um verão
Espero meu bem pra gente se amar de novo

Mimar você
nas quatro estações
Relembrar, relembrar
O tempo que passamos juntos
Que bom viver
Andar de mãos dadas na beira da praia
Por esse momento eu sempre esperei.

É Timbalada. Mas é bonito com Caetano, eu acho.