Recadinho com direito a poema

Tá achando tudo bom? Mesmo? Sério, assim? Nesses tempos? Nesses? Certeza? Então, tá. Poema em linha reta Fernando Pessoa (Álvaro de Campos) Nunca conheci quem tivesse levado porrada. Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil, Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita, Indesculpavelmente sujo, Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho, Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo, Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas, Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante, Que tenho sofrido enxovalhos e calado, Que quando … Continuar a ler Recadinho com direito a poema

Troca-troca

A sensação é a seguinte, veja se você entende: Tem tanta coisa acontecendo aqui dentro que não é possível absorver mais nada. Ler é um suplício, estudar é difícil. Assistir televisão? Nem pensar! É necessário tirar alguma coisa de dentro para poder colocar outra no lugar. E como faz para tirar de dentro? Escrevo. Cozinho? Bordo. E você, hein? Faz o quê? ____ Lulups está afogada em aflições e angústias. Não é sempre, mas acontece. Continuar a ler Troca-troca

As primeiras colheitas de cenouras e beterrabas chegaram!

Não sei você. Mas em tempos como esse, receber um e-mail com essa notícia é formidável. É como se estivéssemos em um momento da história em que ainda respeitávamos os ciclos da natureza e da vida, mas ao mesmo tempo também em um futuro (presente?) em que saberemos usufruir sabiamente das tecnologias. É isso. Simplesmente isso. É só isso que a gente quer, viu, humanidade? ___ Lulups nao sabe se é porque anda estudando muita história do século XVIII e porque vive uma vida tão urbana, que receber notícias de colheita de cenouras é algo extraordinário. Por email, então. Nem … Continuar a ler As primeiras colheitas de cenouras e beterrabas chegaram!

Baldes.

Quero amar. Reamar. Escrever uma carta de amor. Ficar louca de amor. Ter febre de amor. Outro dia eu li, onde foi? Que a paixão foi tanta que ela teve febre de amor. Febre de amor. Mas eu não sirvo para essas coisas. Paixão me enche de dor e eu me afogo em baldes de lágrima e drama. São azuis, os meus. Os baldes, digo. Mas poderiam ser brancos, se eu quisesse. Mas tudo bem, nem faz diferença mesmo, porque o mundo vai acabar.   Continuar a ler Baldes.

Gente carente, covarde e cafona.

Ouvindo Patrícia Palumbo. Uma luz nesses tempos, cheia de músicas e poesias e citações de pessoas boas que nos alimentam a alma a vida. Pura cultura. Cita Fernanda Young, que diz que essa gente toda que não tem noção do outro é cafona. Ca-fo-na. Patrícia Palumbo tenta, nesse episódio, controlar sua raiva, seu ódio. Procura o caminho do bom, do belo, da cura. Porque a gente tem que se agarrar a essas coisas nesse mundo de agora. Só tem esse caminho mesmo. ____ Patricia Palumbo é jornalista de música. Já falei dela aqui. Em tempos de quarentena tem gravado um … Continuar a ler Gente carente, covarde e cafona.

Cientistas rezam?

E rezam para pedir o quê? Os cientistas acreditam que toda ocorrência, incluindo os fatos da vida humana, devem-se às leis da natureza. Portanto não acreditam que a oração, ou seja, um desejo manifesto sobrenaturalmente tem a capacidade de alterar o curso dos acontecimentos. Contudo, devemos admitir que o nosso conhecimento dessas forças ainda é imperfeito. De modo que a crença na existência de um espírito supremo repousa numa espécie de fé. Essa crença ainda é muito comum apesar dos avanços da ciência. Mas também todos os que se dedicam seriamente à ciência acabam se convencendo de que um espírito … Continuar a ler Cientistas rezam?

Quarentena VI

É uma velha que borda. Que já cedo veste as meias até as canelas e bota camisola e se embrulha num xale e toma chá de camomila. Que não quer receber visitas. Porque não pode, porque a casa cheira, porque o gato morde. Porque se acostumou a ser sozinha. E sozinha constrói debates imensos e exaustivos em seus pensamentos. Que às vezes não se suporta e quer fazer malabarismos no sofá até ser engolida pelas almofadas macias. Outras vezes quer sair às ruas, gritando nomes feios porque já não aguenta mais tanto desespero. Que come, mas tem preguiça. Que faz … Continuar a ler Quarentena VI